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Com que taça eu vou?
VinoArt possui mais de 450 rótulos, além de cachaça, cerveja, licor, whisky, queijos e acessórios. Em breve também no Ipanema Harbor (Rua Gomes Carneiro, 132, loja 112), construído em 2018 com material reciclado, o espaço de 850 m² une gastronomia, moda, entretenimento e cultura, é o primeiro shopping de contêineres do Rio, está localizado em um dos últimos grandes terrenos de Ipanema ainda disponíveis, próximo da Praça General Osório e a poucos metros da praia. (Divulgação)
Colunistas, Gastronomia

Com que taça eu vou? 

Por Brunno Guedes –

Olá pessoal! Primeiramente, mil desculpas pela falta do artigo na semana passada!

Com que taça eu vou é uma brincadeira para começar a abordar um assunto muito recorrente entre os consumidores deste vasto mundo.

Acreditem ou não, o material usado na fabricação x altura x tipo do bojo pode mudar a forma com que você aprecia seus vinhos e para entender o porquê de haver tantas taças em formatos diferentes vamos fazer uma analogia: se você viaja de carro você pode ir de Fusca ou de Ferrari. Os dois atingem seu objetivo, mas um pode te ajudar a chegar mais rápido e mudar a forma como as pessoas vão olhar pra você. Antes de mais nada, não tenho nada contra coisas antigas; aliás, adoro.

Com a taça apropriada sua percepção irá mudar.

Uma taça com o corpo ideal pode ajudar a tirar o melhor de uma garrafa de vinho. Isso porque, após muitos estudos, os recipientes foram desenvolvidos para conduzir o vinho para olhos, boca e nariz de maneira a realçar cores, aromas e sabores, influenciando no resultado da degustação. Para quem duvida, basta testar: você sentirá a diferença ao beber um mesmo vinho em taças completamente diferentes.

E a pergunta que não quer calar é: é realmente necessário ter uma taça para cada vinho?

Como cada vinho possui características únicas dependendo de diversos fatores como uva, terroir e estilo com que é produzido, pode-se dizer que, sim! Há marcas que levam essa premissa a sério e possuem no seu portfólio mais de 350 modelos diferentes de taças!

Antes que você me pergunte se eu preciso de todas elas, a resposta é… não! O ideal é simplificar. Ou seja, os modelos que não podem faltar na sua casa, são as taças de estilo dos vinhos que você mais gosta de beber. O ideal seria você ter uma para espumante, branco e rosé, tinto e sobremesa.

E o material? É importante que você saiba que cada superfície reage de forma diferente com o vinho. Há quem prefira o cristal (quanto mais “puro”, melhor), outros preferem a taça cristal com alumínio ou titânio pela sua resistência, mas sem perder a elegância.

Vamos entender sobre as taças

Para espumantes: A taça adequada é a que chamamos de flûte ou flauta, que serve para que possam ser apreciadas as borbulhas ou perlage. A taça fina também direciona a efervescência e os aromas para o nariz, enquanto controla o fluxo acima da língua, mantendo o equilíbrio entre a limpeza da acidez e a saborosa profundidade.

A taça do rosé deve acentuar a acidez do vinho: Os vinhos rosés possuem taninos como os tintos, mas os aromas dos brancos. Por esse motivo, a taça costuma ser menor que a dos brancos, mas com bojo maior. Ela deve acentuar a acidez do vinho, equilibrando assim sua doçura. Se não tiver uma taça específica para rosés (poucas marcas possuem), pode-se usar uma para vinho branco.

Para vinhos brancos: Para esse tipo de vinho a taça deve ser menor para que ele possa ser apreciado em sua temperatura ideal. As taças têm corpo menor do que as para vinho tinto por dois motivos. Primeiro, o vinho branco precisa ser consumido em temperaturas mais baixas e, portanto, em um recipiente menor, que permita menos trocas de calor com o ambiente.

Segundo, porque precisa que sejam realçadas as notas de frutas. A aba estreita entrega o fluxo do vinho através das áreas da língua com equilíbrio entre doçura e acidez, crucial para os brancos.

Casal 20 do jornalismo da Tribuna da Imprensa Livre, Daniel Mazola e Iluska Lopes, amantes do vinho degustando um tinto da Borgonha na VinoArt Catete. (Gabriel Fróes/TIL)

Para vinhos tintos: Taça bordalesa, indicada para vinhos encorpados e com maior carga tânica.

Bordeaux – As taças Bordeaux foram feitas para abrigar vinhos mais encorpados e ricos em tanino. Elas possuem o bojo grande, mas têm a borda mais fechada para evitar a dispersão de aromas. A borda da taça mais fina direciona o vinho para a ponta da língua, permitindo que a untuosidade e os sabores frutados dominem antes que os taninos sejam direcionados para a parte de trás da boca.

Borgonha – Os tintos da Borgonha são mais complexos e concentrados, produzidos quase exclusivamente com a uva Pinot Noir. Portanto, as taças são em formato balão (ou seja, com bojo maior do que as Bordalesas) para que haja mais contato com o ar, o que permite que o buquê se libere mais rapidamente. Este recipiente foi feito para que o vinho possa ser explorado no nariz. O formato direciona o fluxo acima da ponta e do centro da língua, diminuindo a acidez e acentuando as qualidades mais arredondadas e maduras do vinho.

Para vinhos doces e fortificados: As taças para vinhos doces e fortificados são menores com bojo e mais estreitas na parte superior. Esse tipo de taça tem bojo pequeno, justamente porque as pessoas consomem vinhos doces e fortificados em quantidades menores. Também é mais estreita na parte superior. Seu design ajuda a conduzir o fluxo da bebida diretamente para a ponta da língua, região onde os sabores doces são mais percebidos.

Boa degustação e até a próxima!

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Vem aí VinoArt Ipanema.


BRUNNO GUEDES é sommelier master, empresário e Ceo da VinoArt©. Formado pela Associação Brasileira de Sommeliers (ABS/RJ), possui o nível I da International Sommelier Guild, uma das mais respeitadas escolas de sommeliers do mundo, além do certificado IBRAVIN – Qualidade na taça 2015. Lecionou no Senac do Rio de Janeiro, foi consultor do Empório Cadeg, é colunista especializado em vinhos do jornal Tribuna da Imprensa Livre e já conta com mais de 15 anos de experiência no mercado.


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