Por Miranda Sá

“Vai comprar vacina na casa de sua mãe” (Jair Bolsonaro)

As crianças do mundo inteiro (e os que já foram crianças um dia) devem venerar o médico, virologista e epidemiologista norte-americano, Jonas Salk, que deve ser lembrado por ter desenvolvido a vacina oral (famosa “gotinha”) para a poliomielite.

Certa vez, indagado por um jornalista se ele havia registrado a patente da vacina da poliomielite, Salk respondeu: – “Não. Ela é das pessoas. Não há nenhuma patente. Você poderia patentear o sol? “. Merece ou merece encômios?

Os aplausos, infelizmente devem ser trocados por apupos aos governantes que foram contra a quebra das patentes, medida humanitária para as nações mais pobres enfrentarem a pandemia. Entre os defensores do lucro das farmacêuticas monopolistas alinhou-se o presidente brasileiro, capitão Bolsonaro, atendendo ao pedido do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, a quem venera.

Isto, por si, é condenável; mas Bolsonaro fez muito pior, condenou pessoas à morte pelo negativismo, também seguindo Trump, subestimando a ameaça da pandemia do novo coronavírus, e depreciando as medidas preventivas como uso de máscaras, evitar aglomerações e fazer o isolamento social.

E foi ao superlativo – mesmo como neologismo -, pioríssimo, ao charlatanescamente prescrever drogas ineficazes para a covid-19 e desqualificando perversamente a vacina, ora ridicularizando o seu uso, ora condenando por xenofobia a insumo chinês desenvolvido pelo Instituto Butantan.

Com isto torna-se impossível encontrar um adjetivo para qualificar o negativismo lucrativo de Bolsonaro suspeitosamente comprar vacinas através de intermediários dispostos a pagar “comissionamentos” à quadrilha que se instalou no Ministério da Saúde.

Como pensador iluminista cujos pensamentos estão válidos até hoje, Voltaire disse que “a política tem a sua fonte na perversidade e não na grandeza do espírito humano”, mostrando-se um futurólogo para o Brasil do que Nostradamus que se limitou à Europa…. (Embora haja quem interprete centúrias deste lado do Atlântico).

A perversidade genocida do capitão Bolsonaro e seus partidários não se limitou a ceifar mais de meio milhão de vidas: tornou-se lucrativa como faziam os guardas de campos de concentração nazistas recolhendo roupas, joias, cabelos e até arrancando dentes de ouro dos que iam para as câmaras de gás.

Desenrola-se, para júbilo dos brasileiros que não têm bandido de estimação, uma CPI no Senado Federal que está mostrando a ganância criminosa ocorrida nas transações fraudulentas com intermediários para suposta aquisição de vacinas. Com US$ 1 de sobrepreço para atender a demanda gulosa dos comissionados….

Na CPI da Covid a brilhante senadora Simone Tebet em uma atuação firme. Antecedeu pelo estudo e projeções a nota da farmacêutica indiana Barath Biotech questionando a autenticidade dos documentos apresentados pela Precisa Medicamentos que foram recebidos e aceitos pelo Ministério da Saúde. E isto ocorrido, comprova as maracutaias que estavam sendo tramadas para recebimento de “comissionamentos” a propina rebatizada pela novilíngua bolsonarista.

A Barath Biotech também rescindiu o contrato com a Precisa por Irregularidades na negociação da vacina com o Governo Bolsonaro denunciadas pelo deputado Luís Miranda a quem o Capitão até agora não respondeu.

Os documentos falsificados foram exibidos oficialmente em rede de televisão pelo ministro de qualquer coisa Onix Lorenzoni, configura um crime de falsidade ideológica, coisa que vem ocorrendo sistematicamente com o próprio capitão Bolsonaro, que ocupa a presidência da República.

Oficiosamente, anunciado à larga pelos motoqueiros do fanatismo, o diversionismo do capitão Bolsonaro já não convence sequer a direita autêntica, traída em seus princípios contra os visíveis desvios da honestidade, do pudor e da ética, enfrenta vacinada contra o medo as ameaças golpistas guarda pretoriana de pijama….

Estes arreganhos seriam a última palha para o capitão Bolsonaro se afogando no slogan que se inverteu na boca do povo brasileiro: “Na minha corrupção não tem governo”!


MIRANDA SÁ – Jornalista profissional, blogueiro, colunista e membro do Conselho Editorial do jornal Tribuna da Imprensa Livre; Trabalhou em alguns dos principais veículos de comunicação do país como a Editora Abril, as Organizações Globo e o Jornal Correio da Manhã; Recebeu dezenas de prêmios em função da sua atividade na imprensa, como o Esso e o Profissionais do Ano, da Rede Globo.


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