Por Miranda Sá

“Cada um de nós deve decidir se quer caminhar na luz do altruísmo construtivo ou nas trevas do egoísmo” (Martin Luther King)

Li tristemente pelos jornais que o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, disse em entrevista que concorda com chibatadas como pena para a pichação. É o sonho de consumo dos saudosistas da tortura, a volta do sistema de punição que foi abolido em 1910, após a “Revolta da Chibata”.

Esta extemporânea e inconsequente regressão ao chicote dos capatazes da extrema direita não é um fato isolado. Observadores da política analisam que se trata de um objetivo do capitão Bolsonaro, após trair as promessas de uma economia liberal e do combate à corrupção pela reeleição que maldisse na campanha….

Junto-me aos que consideram um estorvo a instalação de uma Familiocracia tipo Coreia do Norte, assistindo repetidas ameaças à imprensa livre e a volta ao tempo execrável da ditadura.

A política nefasta do obscurantismo anticientífico que faz em nome da religião, o capitão Bolsonaro atrasa o desenvolvimento brasileiro em 10 anos ou mais, levando-nos historicamente à ignorância do papa Pio VII ao dizer para o cientista alemão Alexandre von Humboldt que os meteoritos eram pedras que caíam de uma fenda na abóboda celeste…. Este desatino dogmático retardou em 100 anos o desenvolvimento civilizatório!

Isto é o que se vê na estupidez do Negacionismo, produto do ódio obsessivo do capitão Bolsonaro e dos seus seguidores pela Ciência. Assim se vê um retorno à Era da Ignorância que fascina o falso conservadorismo para conquistar a massa ignara.

“Retorno”, aliás, é uma palavra que agrada muito aos autores de manifestos reacionários e aos recompiladores de títulos cinematográficos….  Como verbete dicionarizado é um substantivo masculino derivado do verbo retornar, originário do latim “re-tornare” significando “de novo”, “de volta”, “virar-se”, “fazer um movimento circular”.

A derivação regressiva de retornar é o ato ou efeito de voltar, dando-se em troca o que se recebeu.

No espaço ou no tempo, o retorno nos leva â simbologia milenar dos chineses, egípcios e gregos, que o representavam ora como dragão, ora como serpente que mordem sua própria cauda. É o “ouroboro”, do grego antigo: οὐρά, que significa “cauda” e βόρος, que significa “devora”.

Pelas voltas que o mundo dá, filósofos metafísicos consideram uma “Lei do Retorno”; o padrão cíclico da Natureza no espaço infinito, recomendando o texto bíblico para julgar comportamentos, escrito no Apocalipse 13:10, “se alguém matar à espada, é necessário que à espada seja morto”.

Do outro lado, a escola científica mostra pela Fisiologia a impossibilidade biológica da volta a um efeito metabólico funcional influenciando a saúde dos indivíduos; e discorda sobre a repetição de um movimento corporal, de um gesto e da entonação de uma mesma palavra….

Assim, pregar o negativismo mordendo a própria cauda é prestar serventia à morte. Os que defendem o castigo das chibatadas, devem pensar que esta postura é reflexiva, e que possivelmente isto seja cogitado por outrem contra si…. É o que se comprova no exemplo das centenas de mortes de pessoas que negaram a vacina contra a covid-19 pelo mundo afora.

Isto não é “por acaso”, coisa que não existe nas análises metafísicas, empíricas ou materialistas. É translúcida a autossuficiência do religiosismo hipócrita, que assistimos na movimentação política que ocorreu no Dia do Evangélico explorado por Bolsonaro.

Ali faltou a complacência cristã nos discursos de ódio contra os adversários sob gritos de aleluia, e os ouvidos moucos ao princípio universal da Lei de Causa e Efeito determinando que tudo o que acontece na Natureza tem resposta, e que todo sentimento e todo comportamento humano, têm o seu retorno.

MIRANDA SÁ – Jornalista profissional, blogueiro, colunista e diretor executivo do jornal Tribuna da Imprensa Livre; Trabalhou em alguns dos principais veículos de comunicação do país como a Editora Abril, as Organizações Globo e o Jornal Correio da Manhã; Recebeu dezenas de prêmios em função da sua atividade na imprensa, como o Esso e o Profissionais do Ano, da Rede Globo.


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