Por Miranda Sá

“O segredo do demagogo é se fazer passar por tão estúpido quanto sua plateia, para que esta imagine ser tão esperta quanto ele.” (Karl Kraus)

Em terras brasílicas a palavra “estúpido” estava internada na UTI da Linguagem Coloquial até chegar às livrarias o “Stupid White Men” do escritor e cineasta Michael Moore…. E voltou eloquente nas análises políticas expressando a opinião de muitos sobre os políticos profissionais que desgraçam nosso País.

A estupidez, porém, não é como jaboticaba que germina apenas no litoral atlântico da América do Sul; tem expressão mundo afora. Quando eu era repórter, faz muito tempo, comprovei este besteirol na cabeça coroada do Ranieri III, príncipe de Mônaco.

Apaixonando-se pela artista Grace Kelly – que somava beleza com graciosidade inata -, o príncipe Ranieri casou-se com ela sentando-a ao seu lado no trono. Mostrou-se então como era diante da copiosa correspondência que Grace recebia. Estupidamente determinou aos Correios que recusassem qualquer carta para a esposa sem o sobescrito: – “À sua Alteza Sereníssima Princesa Gracia Patrícia de Mônaco”.

Com este despautério mostrou que amou a estrela de Hollywood, Grace, filha de um pedreiro, e ficou casado com outra, mostrando sua estupidez monárquica.

Vem também do cinema a estupidez distribuída por Hollywood pelo mundo afora. Os filmes mostram taitianas esguias e graciosas quando na verdade o padrão de beleza do Taiti, e de todas as ilhas da Polinésia as mulheres são baixinhas e robustas….

Chegaram agora, com a desgraçada pandemia do novo coronavírus, os auto-assumidos “conservadores”, negativistas da Ciência. Esquecem (ou talvez nunca tenham estudado), que seus ancestrais neendertais morriam de disenteria, sarampo e tifo antes da descoberta científica dos bacilos e das vacinas….

Estes estúpidos obscurantistas fazem isto em nome da “religião”, enquadrando-se, sem dúvida, num dos sermões de Martim Luther King que disse: – “A religião mal-entendida é uma febre que pode terminar em delírio”.

É este delírio que faz pregadores de denominações evangélicas se meterem em política e certamente nos atalhos tortuosos da corrupção, como ocorreu com os pastores bolsonaristas negociando verbas públicas do Ministério da Educação achacando prefeitos.

O grande Voltaire, contestador de dogmas e dos falsos religiosos, dedicou-lhes o diagnóstico: – “O fanatismo é uma doença da mente, que se transmite da mesma forma que a varíola”.

Trata-se de uma verdade indiscutível que se amplia quando o fanático faz um pirão cerebral com o caldo da religião com a farinha da política. Uns e outros, mantêm o culto de personalidades que foi abolido até pelo Partido Comunista stalinista da URSS….

O fanatismo “político-religioso” gangrena o cérebro estimulando a estupidez que leva muitas pessoas negarem a passagem corrupta de Lula da Silva pela presidência da República, do mesmo jeito como outros semelhantes desacreditam das denúncias no “Pastoril” da Educação.

Assim, a estupidez continua a grassar epidemicamente; e o mais triste é vermos pessoas com formação acadêmica (pelo menos exibindo diplomas) assumindo contaminadas esta posição com pedantismo, tornando-se aquilo que Unamuno sugeriu, dizendo que “o pedante é um estúpido adulterado pelo estudo…”

No Governo Federal a estupidez político-militar conviveu com um gabinete paralelo armado no Ministério da Educação estimulando o Pastoril do Suborno que revelou os “mercadores bolsonaristas do templo”.

Agora tivemos o exemplo mais do que perfeito do “conservadorismo direitista” com os assédios de Pedro Guimarães na Caixa Econômica. Íntimo do capitão Bolsonaro, é um contumaz assediador sexual e moral; era agressivo com os funcionários e violento com a imprensa.

Diante deste quadro, é decepcionante constatar o silêncio cúmplice dos dois estúpidos “de direita” e “de esquerda” que disputam a presidência da República pensando que o eleitorado não os conhece.

Estão errados. A cidadania honesta e patriota, inimiga da corrupção e da misoginia adere à ideia de uma 3ª via, esperando um candidato que rompa com a estúpida polarização e conquiste um lugar no 2º turno para derrotar com certeza o concorrente populista que sobrar….

MIRANDA SÁ – Jornalista profissional, blogueiro, colunista e diretor executivo do jornal Tribuna da Imprensa Livre; Trabalhou em alguns dos principais veículos de comunicação do país como a Editora Abril, as Organizações Globo e o Jornal Correio da Manhã; Recebeu dezenas de prêmios em função da sua atividade na imprensa, como o Esso e o Profissionais do Ano, da Rede Globo. mirandasa@uol.com.br


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