Por Miranda Sá

“Há um mundo de fatos além do mundo das palavras” (Thomas Huxley)

No seu livro de memórias “A verdade de um revolucionário” o general Olímpio Mourão Filho discorreu sobre um fato rotineiro, constatando que: -“Ponha-se na presidência qualquer medíocre, louco ou semianalfabeto, e vinte e quatro horas depois a horda de aduladores estará à sua volta, brandindo o elogio como arma, convencendo-o de que é um gênio político e um grande homem…”.

A nossa observação de mais de 60 anos assistindo a cena política é que se deve acrescentar às saltitantes expressões de bajulação a imitação do Chefe. Quando ele é um boquirroto, como o que temos atualmente na presidência da República, é imitado pelos que o cultuam na sua logorreia – o sinônimo de tagarelice parecido com doença venérea.

É o que tem ocorrido com o ministro Paulo Guedes, que tinha fama de sisudo, mas quando resolveu jogar no lixo qualquer cerimônia, tornando-se um tagarela da pior espécie, com a retórica de um ilusório país das maravilhas.

Silencia ou terceiriza a culpa sobre tudo que é da sua responsabilidade, a Economia. Não fala da inflação chegando aos dois dígitos e a consequente carestia de vida que deixa os brasileiros das classes médias, média e baixa, em situação de penúria e condenando à morte os mais pobres.

Guedes traz para o dia-a-dia a triste realidade econômica que se somam ao desprezo do Capitão Minto pela pandemia com sua política necrófila apresentando a opção de morrer pelo vírus ou pela fome. Inseguro nas próprias ações, o Ministro leva o seu dinheiro para uma off-shore em paraíso fiscal….

É triste – e revoltante – constatar que não é somente Paulo Guedes, mas muitos dos seus colegas de ministério precisam de alguém como o rei Carlos, de Espanha, que cansado da inconveniência de Hugo Chávez, modelo do capitão Bolsonaro, questionou-o duramente: – “Porque não te calas? ”.

Um dos exemplos da imitação subalterna da loquacidade mentirosa é do subministro da Saúde, Marcelo Queiroz, que no mais do que perfeito espírito de imitação do Chefe, foi além do palavrório negativista usando a pornomímica como argumento, como fez em Nova York….

O falatório inconsequente do bolsonarismo nos leva a aplaudir a inquietação de Martin Luther King diante da delinquência política: -“O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”.

Na verdade, se os políticos seguissem o ensinamento budista dos três macaquinhos amparados nos seis braços da deusa Vajrakilaya encontrados em templos erguidos da Índia e do Japão.

De madeira, metal ou pedra – e até de plástico, como são vendidos nas lojas de R$ 1,99 –, os três macaquinhos ficam juntos; um põe as mãos sobre os olhos, com o mesmo gesto outro fecha a boca e o terceiro tapa os ouvidos.

A mensagem é direta, sem subterfúgios: “Não fales; não vejas, não escutes”, uma regra explícita do conformismo, de não ouvir, não ver e não falar para não colaborar com as forças malignas. A sabedoria de Vajrakilaya reverenciada pelos budistas, traz também a interpretação dialética deste comportamento, ensinando que é preciso escutar muito, ver tudo e condenar o que está errado, para derrotar o mal.

Quando uma desgraça de aproxima, preparemo-nos para vencê-la, como fazemos na guerra contra o novo coronavírus, aliado ao falso religiosismo, à ignorância científica e à tagarelice dos boquirrotos.

Despertando a consciência dos que olham para o ano que vem, com eleições presidenciais decisivas para o futuro da Nação redobremos a nossa capacidade de sobreviver e não esquecer dos boquirrotos que tagarelam verdades e se cobrem com o manto das mentiras.

Não há exemplo maior do que o discurso de Geraldo Alckmin na Convenção do PSDB no dia nove de dezembro de 2017 dizendo:

– “Depois de ter quebrado o Brasil, Lula diz que quer voltar ao poder; ou seja, voltar à cena do crime…”

MIRANDA SÁ – Jornalista profissional, blogueiro, colunista e diretor executivo do jornal Tribuna da Imprensa Livre; Trabalhou em alguns dos principais veículos de comunicação do país como a Editora Abril, as Organizações Globo e o Jornal Correio da Manhã; Recebeu dezenas de prêmios em função da sua atividade na imprensa, como o Esso e o Profissionais do Ano, da Rede Globo.


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NOTA DO EDITOR: Quem conhece o professor Ricardo Cravo Albin, autor do recém lançado “Pandemia e Pandemônio” sabe bem que desde o ano passado ele vêm escrevendo dezenas de textos, todos publicados aqui na coluna, alertando para os riscos da desobediência civil e do insultuoso desprezo de multidões de pessoas a contrariar normas de higiene sanitária apregoadas com veemência por tantas autoridades responsáveis. Sabe também da máxima que apregoa: “entre a economia e uma vida, jamais deveria haver dúvida: a vida, sempre e sempre o ser humano, feito à imagem de Deus” (Daniel Mazola). Crédito: Iluska Lopes/Tribuna da Imprensa Livre.