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Castello se uniu a Golbery para derrubar Costa e Silva, não conseguiram. Mas o general-ministro assustou a todos. As obras de arte dos corruptos-corruptores vão para os belos museus concebidos por Niemeyer
Costa e Silva e Castello Branco: eram generais, mas pertenciam a grupos diferentes (Foto: Reprodução)
Colunistas, Política

Castello se uniu a Golbery para derrubar Costa e Silva, não conseguiram. Mas o general-ministro assustou a todos. As obras de arte dos corruptos-corruptores vão para os belos museus concebidos por Niemeyer 

Helio Fernandes

“Homenagem no Ano do Centenário do Jornalista Helio Fernandes” (Daniel Mazola)

Como falei antes, a Junta Militar assumiu, tentou governar, não havia jeito. Enquanto Castello Branco garantia a JK: “Presidente, só quero confirmar e realizar a eleição de 1965. E não posso fazer isso, sendo o Chefe de Governo Provisório, como Vargas em 1930”. Já confundiam o golpe de 64 com o de 30.

Castello continuou mentindo descaradamente para JK: “O senhor é o mais interessado na eleição de 1965, já é candidato desde que deixou o cargo em 1961. Preciso ser aprovado e referendado pelo Congresso”. Juscelino acreditou e aceitou, surpreendeu o Congresso com a proposta. Os parlamentares não tinham alternativa nem força concordaram.

Depois das cassações do “Primeiro de Abril”, JK que era senador, foi o primeiro preso cassado, perseguido. Até que foi para o exterior. O golpe de 64 se dividiu entre Castello apoiado por Golbery e os irmãos Geisel, e a “Junta” de Costa e Silva.

Separados, divididos, em pânico com a força de Costa e Silva, o golpe se apossou do Poder. E a tortura se materializou logo, ainda informal. Mas do plano conhecido de Castelo, Geisel (Chefe da Casa Militar) e Golbery. Este o “homem fortíssimo” de tudo, apesar de general da reserva.

PS- Obras de arte sempre serviram de passaporte para “lavagem de dinheiro”. Ladrões do dinheiro público, roubam, compram quadros, colocam na parede, e ficam admirando a arte e a própria capacidade de enriquecer sem se preocupar. Agora, na lava jato, muita coisa foi descoberta.

PS2- Trabalhos de Portinari, Di Cavalcanti, Cícero Dias, e outras notáveis, desapropriados, vão para o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. A primeira vez que fui a esse Museu, que exuberância. Criado pelo próprio Oscar, você anda um quilometro, dá de cara com um “olho” extraordinário, ideias e realização do próprio Niemeyer. A corrupção que já provoca admiração pela roubalheira, conquistará a admiração do cidadão, pela beleza.

PS3- Antes, em 1935, o mesmo Niemeyer, Lucio Costa, Afonso Reidy, Carlos Leão, Jorge Moreira, mocissimos, aceitaram participar da belíssima ideia da criação do edifício do Ministério da Educação. Que mais tarde seria conhecido como Gustavo Capanema.

PS4- Joaquim Cardoso, o gênio do cálculo e mestre em poesia, já começava a projetar os alicerces. O Chefe de Gabinete do Ministro era Carlos Drummond de Andrade, que conjunto extraordinário, de arquitetos, poetas e sonhadores. Em 1936, o projeto começava a se transformar em realidade.

PS5- Alguém teve a ideia de convidar Le Corbusier para supervisionar (?) a construção. Ele aceitou, chegou aqui em novembro de 1936, foi levado para ver a obra que subia. Empolgado e assombrado, reclamou bem humorado: “Vocês já fizeram tudo, maravilhoso. vou pra praia”.

PS6- Hospedado no Copacabana Palace, atravessava a rua, jamais fizera isso. A praia ainda vazia, as areias não estavam descobertas. Um dia almoçando com esses gênios brasileiros, surpreendeu a todos: “Não tenho diploma de arquiteto, na França isso não é necessário”.

PS7- Foi dificílimo terminar a construção, o país mergulhava na ditadura do “Estado Novo”, o edifício quase não era inaugurado. Foi, foi por causa do prestígio de Capanema. Todos esses arquitetos se realizaram e se projetaram.

PS8- Lucio Costa e Niemeyer a partir de 1960, “fizeram” Brasília, transformando um deserto de quilômetros de terra árida, numa das capitais mais bonitas do mundo. Não adianta apurar quanto foi gasto e o fato dela ter se constituído num monumento á mordomia e ao desperdício.

PS9- Jorge Moreira, sozinho fez o “Fundão”, hoje merecidamente chamado de Clementino Fraga Filho. Muito moço, Jorge Moreira morreria num desastre de carro.

PS10- Reidy, também sozinho projetou o condomínio popular magistral, obra de gênio, conhecida no mundo todo, como “pedregulho”. Conquistou seu lugar na história. Mas não ficaria por ali.

PS11- Convidada pela extraordinária Lota Macedo Soares, urbanista, realizadora, sonhadora, a fazer o Museu de Arte Moderna, integrando umas das construções mais admiradas do Rio, o Aterro do Flamengo, hoje entregue a ladrões e assaltantes.

PS12- Reidy não queria, Dona lota insistiu, acabou aceitando e transformou aquele pedaço de chão numa obra também genial. Que entrou para a história. Lacerda governador, teve a sorte mas também o mérito de governar dali de perto, mas não intervir ou influir em nada.

(REPRISE)

Fonte: Blog do Helio Fernandes – www.heliofernandesonline.blogspot.com


HELIO FERNANDES – Jornalista, decano da imprensa brasileira. Seu primeiro emprego foi na revista O Cruzeiro, quando tinha 13 ou 14 anos de idade, onde entrou a pedido do tio, gráfico de profissão, e lá permaneceu por aproximadamente 16 anos, junto com seu irmão mais novo Millôr Fernandes. A seguir, foi chefe da seção de esportes do Diário Carioca, onde chegou ao cargo de secretário, semelhante ao atual editor. Quando o jornal fechou, foi ser diretor da revista Manchete. Após o final do Estado Novo, em 1945, cobriu a Assembleia Constituinte de 1946, onde conhece o jornalista Carlos Lacerda, com quem teve longa relação profissional e de amizade. Trabalhou como jornalista no recém-lançado jornal Tribuna da Imprensa. É o único jornalista ainda vivo que participou da cobertura da Assembleia Constituinte de 1946. Foi assessor de imprensa de Juscelino Kubitschek durante a campanha deste à presidência da república em 1955, quando viajou por todo o pais acompanhando o candidato. Após a campanha, polêmico como sempre, volta ao jornalismo de oposição ao governo que ajudara a eleger. Trabalha também na televisão, num programa onde comenta a situação política, com sucesso. No começo da década de 1960, Helio Fernandes adquire o jornal Tribuna da Imprensa, fundado alguns anos antes por Carlos Lacerda agora governador do estado da Guanabara. Vários jornalistas importantes dessa época ganharam destaque com ele, como Paulo Francis e Sebastião Nery. Jornalista sempre polêmico e com ideias de esquerda, já era perseguido antes do Golpe Militar de 1964, preso pela primeira vez em julho de 1963 por ordem do Ministro da Guerra de João Goulart, general Jair Dantas Ribeiro. Após onze dias preso, quatro deles incomunicável, foi libertado por ordem do Supremo Tribunal Federal. Foi o redator do manifesto pela Frente Ampla, lançado por Juscelino, Lacerda e João Goulart e chegou a ser candidato a deputado federal pelo MDB, mas teve seus direitos políticos cassados em 1966. Com a violenta censura à imprensa imposta principalmente com o AI-5 em 1968, foi preso várias vezes, inclusive no DOI-CODI, foi afastado compulsoriamente do Rio de Janeiro e obrigado a passar períodos de exílio interno em Fernando de Noronha e em Pirassununga(SP). Ao contrario de outros donos de jornal, nunca aceitou a censura e nunca deixou de tentar publicar as notícias do período. Seu jornal foi o que mais sofreu intervenção durante o Regime Militar: teve mais de vinte apreensões e censores instalados dentro de seu prédio por dez anos e dois dias. Em 1973 foi preso por seis dias no quartel da Polícia do Exército na rua Barão de Mesquita. A sede do jornal chegou a ser alvo de um atentado a bomba, poucos dias antes do Riocentro, já na época final da ditadura militar, em 1981, mas no dia seguinte o jornal estava nas bancas. Além de irmão do Millôr, Helio Fernandes é pai dos jornalistas Rodolfo Fernandes e Hélio Fernandes Filho (fonte: Wikipédia)

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