Por Sérgio Ricardo

Como parte das atividades do Dia Mundial da Água, em 23 de Março de 2021, o Baía Viva juntamente com membros da MORENA (Assoc. Moradores de Paquetá) e da Comissão de Moradores, e representante da Escola de Arquitetura e Urbanismo (UFF), realizaram uma vistoria técnica no imóvel tombado do Solar del Rey que após sua restauração deverá sediar um centro cultural comunitário e o Campus Avançado em Terra da Universidade do Mar.

Apesar do abandono do Solar, com seu entorno coberto por capim colonião, entulho e lixo, formando um triste quadro de um Bem público de valor afetivo, arquitetônico, histórico-cultural onde por anos funcionou a Biblioteca pública do bairro e que está fechado há 11 anos; mesmo assim foi possível averiguar que o espaço – após sua restauração por meio de projeto conceitual básico proposto pela Prefeitura do Rio e já aprovado pelo IPHAN – tem plenas condições e espaço suficiente para voltar a atender a demanda da comunidade por usos culturais (música, teatro, cinema, exposições etc); assim como abrigar as atividades educacionais e científicas da Universidade do Mar (UNIMAR).

Em seguida, fizemos passeio de barco no entorno da Ilha de Brocoió onde o projeto prevê a instalação do Campus Avançado no Mar desta futura Universidade Aberta.

Solar del Rey (Divulgação/Baía Viva)

Estes “laboratórios de inovação” serão instalados no território que abriga o refúgio dos botos-cinza – e tem a presença de diversificada avifauna e de outras espécies marinhas – situado entre as ilhas de Brocoió e Paquetá e a região dos manguezais da Área de Proteção Ambiental Federal (APA) de Guapimirim e da Estação Ecológica da Guanabara (ESEC) que concentram no seu entorno a maioria das comunidades pesqueiras tradicionais que em consequência da intensa poluição do mar, na atualidade, passam por forte empobrecimento e desmantelamento cultural: algumas famílias pobres resistem diariamente à insegurança alimentar e a fome.

O projeto da Universidade do Mar tem como proponentes a Reitoria da UERJ, a MORENA e o Baía Viva e atualmente já conta com o apoio institucional de cerca de 30 instituições científicas, entre universidades públicas e privadas, setor pesqueiro, entidades da sociedade civil e órgãos públicos federais, estaduais e do município do Rio de Janeiro.

Estamos na DÉCADA DOS OCEANOS (2021-2030, ONU) num cenário preocupante que se caracteriza pelo crescente “sacrifício ambiental” das três (3) Baías fluminenses (Guanabara, Sepetiba e da Ilha Grande) que, apesar disso, são ecossistemas (ainda) com presença de rica vida marinha; assim como nossas vulneráveis baías tem status de proteção previsto no Capítulo do Meio Ambiente da Constituição Estadual-RJ.

Esta Universidade Aberta promoverá projetos de Extensão Universitária; projetos de monitoramento ambiental e de conservação da biodiversidade marinha (algumas espécies como os botos-cinza que é o símbolo do Rio de Janeiro já encontram-se ameaçados de extinção!); programas de educação ambiental com visitação pública orientada por agentes ambientais e cursos livres voltados às comunidades pesqueiras e à população em geral.

Por uma Década dos Oceanos que venha finalmente a reconhecer e valorizar as Ciências do Mar e a Economia do Mar (Economia Azul, ONU) como estratégias fundamentais para o enfrentamento da pobreza e das múltiplas desigualdades, assim como para atingirmos a sustentabilidade ambiental do desenvolvimento humano no Estado do Rio de Janeiro e no Brasil.


SÉRGIO RICARDO VERDE – Ecologista, membro fundador do movimento BAÍA VIVA, gestor e planejador ambiental, produtor cultural, engajado nas causas ecológicas e sociais, colunista do jornal Tribuna da Imprensa Livre, membro do Conselho Estadual de Direitos Indígenas (CEDIND-RJ) pela organização GRUMIN presidida pela escritora Eliane Potiguara.