Por Daniel Mazola

Em função da repercussão das matérias exclusivas: “SIRO DARLAN: a Força, a Indignação e a Verdade“ e “SIRO DARLAN: eu conheço a fome, eu conheço o frio, vivi a vida dos jovens e das crianças abandonadas – essa é a minha origem”, um tsunami de manifestações e solidariedade inundou a caixa de entrada dos nossos e-mails.

Em 2015 ficamos atônitos e indignados com a destituição do desembargador Siro Darlan da coordenação das Varas da Infância e Juventude do TJRJ, de onde nunca deveria ter saído, agora tentam afastá-lo definitivamente do judiciário. A partir de hoje (24/1), estamos publicando uma série de depoimentos de diversos membros da sociedade civil sobre a “perseguição implacável” – como a maioria tem se referido ao caso – que culminou com a suspensão do exercício da função do desembargador Siro Darlan.

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SOMOS SIRO DARLAN

#campanharestaurarverdade

MARCOS RIBEIRO é professor e consultor em educação sexual. Já prestou consultoria para a Fundação Roberto Marinho, Canal Futura, Ministérios da Saúde e Educação e UNESCO. Autor de mais de uma dezena de livros sobre educação sexual, é o único autor brasileiro da área de sexualidade premiado pela Academia Brasileira de Letras.

Marcos Ribeiro

Desde sempre conhecemos o Dr. Siro Darlan através da lente da democracia e da luta por direitos iguais, principalmente no que refere-se a crianças e adolescentes e aos excluídos.  Como juiz e desembargador, vejo que a trajetória se pauta na luta por democracia, justiça social, respeito a todas as pessoas e as suas diferenças.

Me lembro de um episódio que estávamos indo para uma palestra e lhe falei (diante de uma decisão polêmica, mas pautada nas leis e na nossa Carta Magna): “vão lhe perguntar sobre tal assunto”.  Dr. Siro calmamente respondeu: “Que bom! Assim tenho a oportunidade de esclarecer e o nosso interlocutor ser informado!”.

É isso! Ele busca informar a todos, transformando o jargão jurídico numa linguagem acessível as pessoas das mais diferentes realidades. E nem todos gostam disso!

A Casa grande surta quando a senzala entra pela porta da frente e tem a garantia dos seus direitos. E principalmente quando esta porta é aberta por um desembargador, com ética e verdade.

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ANTONIO VERONESE é pintor e artista plástico residente na França, desenvolveu um projeto de arte nos abrigos de jovens infratores. Autodidata com uma obra considerável, já realizou 64 exposições individuais, têm obras expostas em numerosos museus, coleções públicas e privadas nos Estados Unidos, Suíça, França, Japão, Chile e Brasil.

Antonio Veronese

O Desembargador Siro Darlan está no Tribunal há 39 anos, sempre combateu o corporativismo, que sistematicamente inventa artimanhas para sacar dinheiro do tesouro e aumentar os ganhos dos magistrados, através da construção de presídios, cadeias, Instituto Médico Legal com recursos do Fundo, para receber vantagens dos governadores corruptos, concursos públicos fraudados para favorecer parentes, amantes… Fraudes e superfaturamento de licitações para construção de prédios, favorecimento de magistrados com auxilio educação, auxilio doença em detrimento de um povo empobrecido e sofrido… Falta de fiscalização dos horrores dos presídios, tornando o judiciário conivente com as torturas permanentes que lá ocorrem com frequência, Siro Darlan combateu sempre o nepotismo.

Tudo isso fez claramente assumindo a responsabilidade do debate para o aperfeiçoamento da Justiça, combateu sempre o fascismo (inclusive bolsonariano) e por isso está sendo perseguido de forma imoral e ilegal.

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WANDERLEY REBELLO FILHO é advogado e vice-presidente da Associação Nacional e Internacional de Imprensa (ANI). Atua nas comissões da OAB/RJ de Direitos Humanos, de Direito Ambiental e de Políticas sobre Drogas há mais de 35 anos.

Wanderley Rebello Filho e o desembargador Siro Darlan

Conheci o desembargador Siro Darlan em minhas andanças como membro e vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ, isto por volta de 1990. E de lá para cá acompanhei a sua trajetória.

Participamos juntos das conversas sobre a criação dos conselhos tutelares, e deixamos juntos uma reunião na Câmara Municipal quando o assunto descambou para o tema “salários” dos conselheiros, posto que um queria receber mais do que o outro.

Saindo da Câmara, fomos repentinamente abordados e cercados por um grupo de meninos que, ao verem o magistrado Siro Darlan começaram a gritar: “Tio, tio…”. E ele parou para conversar com os “meninos de rua”.

A única voz no TJ/RJ que sempre, efetivamente, se levantou a favor de crianças e adolescentes, excluídos e em situação de risco, foi calada! Já tentavam fazer isto há muito muito tempo!

O único magistrado do TJ/RJ que sempre foi visto nas ruas, de dia e à noite, defendendo e ouvindo crianças e adolescentes excluídos e em situação de risco, foi parado! A única esperança das crianças e adolescentes excluídos, e em situação de risco, foi ceifada! Há muito afastaram Siro de qualquer contato com comissões ou instituições voltadas para a proteção de crianças e adolescentes.

Siro Darlan tem um sorriso que todos conhecem. Nele está estampada a imagem de quem sempre fez o bem, e de quem está com a consciência tranquila. Seus detratores o temem, pois eles sabem que não têm nem a humildade, nem o mínimo interesse, de fazer nem 1/10 do que Siro Darlan já fez.

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Envie seu depoimento para: mazola@tribunadaimprensalivre.com


DANIEL MAZOLA – Jornalista profissional (MTE 23.957/RJ); Editor-chefe do jornal Tribuna da Imprensa Livre; Consultor de Imprensa da Revista Eletrônica OAB/RJ e do Centro de Documentação e Pesquisa da Seccional; Membro Titular do PEN Clube – única instituição internacional de escritores e jornalistas no Brasil; Pós-graduado, especializado em Jornalismo Sindical; Apresentador do programa TRIBUNA NA TV (TVC-Rio); Ex-presidente da Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da Associação Brasileira de Imprensa (ABI); Conselheiro Efetivo da ABI (2004/2017); Foi Assessor de Imprensa da Federação Nacional dos Frentistas (Fenepospetro) e do Sindicato dos Frentistas do Rio de Janeiro (Sinpospetro-RJ); Vice-presidente de Divulgação do G.R.E.S. Estação Primeira de Mangueira (2010/2013); Editor do jornal FAFERJ (Federação das Associações de Favelas do Estado do RJ); Editor do jornal do SINTUFF (Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal Fluminense-UFF); Editor do jornal Folha do Centro (RJ); Editor do jornal Ouvidor Datasul (gestão empresarial e tecnologia da informação); Subeditor de política do jornal O POVO, Repórter do jornal Brasil de Fato; Radialista e produtor na Rádio Bandeirantes AM1360 (RJ).