Por Miranda Sá

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“…E os oitentões como eu são mais felizes, lembram o Governo JK, quando o negócio mais próspero era uma oficina de fazer placas de “PROCURA-SE”, não bandidos, mas trabalhadores nos quatro cantos do Brasil. Um quinquênio de prosperidade, desenvolvimento e justiça social”.

Eu, noventão, vivi esta época, e votei na chapa JJ, de JK e Jango. Vinha de uma infância e pré-adolescência sob Getúlio Vargas e gostava da aliança que a inteligência dele criou: O Partido Social Democrático – PSD , e o Partido Trabalhista Brasileiro – PTB -, cada qual assumindo uma fração política da nacionalidade.

Centro Direita e Centro Esquerda formando um todo ideológico pelo desenvolvimento econômico do País sofrendo apenas a resistência de meia dúzia de três ou quatro oficiais lacerdistas da Aeronáutica que se rebelaram, e foram anistiados benignamente por JK.

Naquele período histórico, como eram respeitados pela cultura jurídica, os magistrados brasileiros! Como eram estudiosos os oficiais de Estado Maior das Forças Armadas! Como eram independentes as organizações de trabalhadores e estudantis, ativas e patrióticas.

O somatório de tudo isto produziu uma intelectualidade brilhante na arquitetura, no cinema, na literatura, na música, no paisagismo e na pintura; e, como não poderia deixar de ser, um empresariado consciente defendendo o desenvolvimento econômico paralelo da Agricultura e da Indústria e a necessidade de se expandir para o Exterior

É triste constatar o lixo cultural, econômico, social e político que temos hoje no Brasil! Um esgoto de mediocridade, desembocando no lamaçal de personalidades inúteis e políticos corruptos, corrompíveis e corruptores.

Oitenta anos atrás, alisando os bancos ginasianos ouvi do meu professor de História, Wilson Pinto, uma aula sobre o filósofo e diplomata inglês Francis Bacon, criador e defensor do método indutivo na pesquisa científica.

Bacon defendeu a tese de que só pela experiência se adquire a cognição baseada no raciocínio; e, como intelectual honesto, embora sendo súdito de sua majestade britânica, se correspondia com Napoleão Bonaparte.  Numa de suas cartas definiu o conceito de egoísta, disse que “é a pessoa que incendiaria a casa do vizinho para lhes fritassem um ovo” ….

Certamente os empedernidos egoístas que ocupam dos andares de cima dos poderes republicanos no Brasil pensam desta maneira. Ao lado do egocentrismo que domina o STF, assistimos a covardia personalista de Bolsonaro terceirizando sua delinquência no caso das joias sauditas; e, do outro lado, a insanidade de Lula divertindo-se em viagem internacional com a companheira das visitas intimas, enquanto nossos irmãos do Sul sofriam castigados por uma catástrofe climatérica.

Assim vivemos a estúpida polarização eleitoral no Brasil graças ao “eusismo” deste dois, e o apoio fanatizado de cultuadores de suas personalidades, um quadro infeliz que nos traz Blaise Pascal, um racionalista que buscou compreender a razão humana, condenando o “moi”, eu, é le mot haïssable”, uma palavra odienta.

Quem estuda História sabe que é pelo doentio egoísmo dos polarizadores que lhes faz correr para o totalitarismo, invejando na democracia os ditadores, ou dos antigos imperadores tipo Xerxes – o persa -, que alertado sobre a ameaça que do seu navio afundar por excesso de peso, ordenou aos cortesãos que se atirassem n’água para salvá-lo; e eles o fizeram.

MIRANDA SÁ – Jornalista profissional, blogueiro, colunista e diretor executivo do jornal Tribuna da Imprensa Livre; Trabalhou em alguns dos principais veículos de comunicação do país como a Editora Abril, as Organizações Globo e o Jornal Correio da Manhã; Recebeu dezenas de prêmios em função da sua atividade na imprensa, como o Esso e o Profissionais do Ano, da Rede Globo. mirandasa@uol.com.br

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