Por Jeferson Miola

A eleição decidida no 30 de outubro foi a batalha central da guerra fascista-bolsonarista contra a democracia.

A derrota naquela que era a batalha de todas as batalhas não significa, no entanto, que os bolsonaristas desistirão de continuar a guerra contra a democracia e o Estado de Direito.

Devido ao desastre do governo e ao isolamento político e social – nacional e internacional –, Bolsonaro e as cúpulas conspirativas das Forças Armadas perderam enormemente as condições para prosseguirem o plano golpista originalmente concebido há vários anos, bem antes da eleição de 2018.

A última e mais recente articulação para perpetrar um golpe contra a institucionalidade foi na 4ª feira imediatamente anterior à votação, dia 26 de outubro.

Segundo uma fonte militar, o Alto Comando do Exército se opôs à proposta de Bolsonaro e generais Luiz Eduardo Ramos, Braga Netto, Villas Bôas e Augusto Heleno de adiamento da eleição.

Para justificar este disparate, eles pretextavam a falsa alegação de que a propaganda da chapa militar não havia sido veiculada em um punhado de rádios dos grotões dos Estados da Bahia e Pernambuco.

No breve e cifrado pronunciamento feito nesta 3ª feira, 1º/11, somente dois dias depois do TSE proclamar o resultado oficial, Bolsonaro finalmente reconheceu a eleição. Tanto que destacou o ministro Ciro Nogueira para intermediar o processo de transição de governo previsto em Lei.

Seria impossível a ele não reconhecer e não validar a eleição; afinal, recebeu 58 milhões de votos, como ele próprio citou no pronunciamento de pouco mais de dois minutos.

Mas Bolsonaro, porém, não aceitou o resultado da eleição, ou seja, não assimilou democraticamente a vitória do Lula. Ele não proferiu nenhuma palavra e não fez nenhum gesto neste sentido.

Bolsonaro alegou “indignação e sentimento de injustiça de como se deu o processo eleitoral” – motivo que, na visão dele, legitima a baderna das hordas fascistas bloqueando estradas país afora.

Assim como em 2014, quando Aécio Neves/PSDB não aceitou a vitória de Dilma; e como em 2020, quando o presidente estadunidense Donald Trump se recusou a aceitar a vitória do concorrente Joe Biden, Bolsonaro manterá viva a retórica do que chama ser a “injustiça de como se deu o processo eleitoral”.

Com esta retórica delirante inspirada na escola do bufão Donald Trump, Bolsonaro catalisa a mobilização permanente da matilha fascista no questionamento da legitimidade da eleição da chapa Lula/Alckmin e, também, turbina a oposição ferrenha e combativa ao governo eleito antes mesmo da posse.

A guerra fascista-bolsonarista contra a democracia continua. A Bolsonaro interessa manter um clima permanente de conflito e de caos, de altíssima pressão e temperatura, e explorando sentimentos de medo e pânico.

No tardio pronunciamento sobre a eleição, Bolsonaro deu a senha de futuro para a extrema-direita reprisando um lema nazi-fascista: “A direita surgiu de verdade em nosso país. Nossa robusta representação no Congresso mostra a força dos nossos valores: Deus, pátria, família e liberdade”, ele discursou.

Colocando-se risivelmente como alguém que enfrenta “todo o sistema”, Bolsonaro destacou aos “patriotas” a “honra [de] ser o líder de milhões de brasileiros que, como eu, defendem a liberdade econômica, a liberdade religiosa, a liberdade de opinião, a honestidade e as cores verde e amarela da nossa bandeira”.

A recusa de Bolsonaro em aceitar a vitória do Lula é fundamental para a estratégia de desestabilização do governo Lula/Alckmin e para a manutenção do ambiente de conflito, instabilidade e de intranquilidade na sociedade brasileira.

A falange bolsonarista é movida a balbúrdia, violência e extremismo. E Bolsonaro é o líder maior desta horda criminosa. A guerra fascista-bolsonarista contra a democracia continua.

JEFERSON MIOLA – Jornalista e colunista desta Tribuna da Imprensa Livre. Integrante do Instituto de Debates, Estudos e Alternativas de Porto Alegre (Idea), foi coordenador-executivo do 5º Fórum Social Mundial.

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