Por Pedro do Coutto –

Não se pode considerar que com o ato político em Londres, na véspera do sepultamento da rainha Elizabeth II, o presidente Jair Bolsonaro ganhou ou perdeu votos. A pesquisa do Ipec, que deve estar hoje nos jornais (escrevo esse artigo na tarde de segunda-feira), não deverá ainda captar qualquer efeito, num sentido ou no outro. Talvez a de quinta-feira, do Datafolha, possa conter algum reflexo.

Mas a questão não é essa apenas. O ato político que incluiu o discurso de Bolsonaro na sacada da embaixada do Brasil foi, sem dúvida, um ato inusitado e até mesmo surpreendente, sobretudo porque ele anunciou que vencerá as eleições de outubro no primeiro turno.

Havia em frente à embaixada um grupo de apoiadores e adeptos do bolsonarismo. No discurso, o presidente da República lembrou que na véspera, portanto no sábado, esteve no interior de Pernambuco, onde fez campanha eleitoral com grande movimentação popular à sua volta.

PESQUISAS E INDECISOS –  As pesquisas do Ipec e do Datafolha nesta semana vão influenciar, sem dúvida, no comportamento de eleitores e eleitoras ainda indecisos, reduzindo a margem do grupo como sempre acontece nas eleições na medida em que as urnas se aproximam. É natural e o reflexo também se fará sentir nas disputas pelos governos estaduais, sobretudo porque muitas adesões de última hora nos estados são influenciadas diretamente pela divulgação dos levantamentos dos institutos.

A pesquisa do Datafolha, cuja divulgação é posterior a do Ipec, influenciará mais a disposição do eleitorado que ainda vacila na escolha do candidato ou então no movimento que se realiza especialmente no PDT para que o eleitorado tradicional do partido passe a apoiar Lula da Silva diante da realidade de que Ciro Gomes não tem possibilidade alguma de vencer e tampouco de ir para um segundo turno.

Para Ciro Gomes e também para Simone Tebet a campanha pela Presidência da República termina no domingo dia 2 de outubro. Principalmente a de Ciro Gomes, que este ano concorre pela quarta vez ao posto. Quanto a Simone Tebet, a sua campanha pela disputa ao Planalto, penso, será a primeira, mas pela sua desenvoltura e inteligência não será a única. Ela voltará à disputa provavelmente daqui a quatro anos, possivelmente enfrentando Geraldo Alckmin, que a meu ver deverá ser eleito vice-presidente da República. Mas são especulaçõeso, perspectivas. Só o tempo as confirmará ou não.

USINA DE FRAUDES –  Camila Mattoso e Thiago Resende, Folha de S. Paulo desta segunda-feira, destacam que a Polícia Federal entrou em campo e evitou uma fraude calculada em R$ 486 milhões em pagamentos falsos do INSS, incluindo não só o crédito para aposentados e pensionistas, mas também falsificações no auxílio de reclusão.

Além da Polícia Federal e de setores do INSS, o roubo foi impedido também pela atuação da Federação Brasileira de Bancos, responsável pelos pagamentos. O meio usado na trilha dos ladrões residia em transferências bancárias. Mas, as senhas falsificadas deram margem às investigações que concluíram por uma fraude gigantesca. O ponto fraco do esquema fraudulento foi descoberto com a observação sobre pagamentos de falsos atrasados que superavam R$ 100 mil.

Tais pagamentos excessivos dentro do sistema do INSS chamou a atenção do Coaf (Conselho de Atividades Financeiras).  As transferências atípicas iluminaram o campo da fraude arquitetada. O histórico do INSS, aliás, é pleno de episódios dessa ordem.

INSEGURANÇA – Reportagem de William Cardoso, Folha de S. Paulo, excelente matéria, destaca os riscos crescentes envolvendo as mulheres do país, como é o caso do Rio de Janeiro e das principais cidades de São Paulo. São assassinatos, agressões violentas, tentativas de morte, cárcere privado, entre outros. As acusações estão sendo cada vez mais frequentes, inclusive incentivadas, como deve ser,  pelos meios de comunicação.

As redes sociais da internet apresentam em grande volume falsas promessas que terminam com extorsões praticadas contra mulheres que se encontram oprimidas pela solidão. Enfim, há necessidade de repressão mais forte, mas sobretudo de prevenção que deve começar a partir das próprias vítimas, as quais devem observar os primeiros sinais de agressividade. São suficientes para que grande parte das mulheres se afastem logo dos parceiros que deixam no ar sintomas da prática de violência ou uma agressividade latente  em potencial.

A TV Globo vem desempenhando um papel importante nesse aspecto, da mesma forma que a GloboNews, além dos jornais impressos. É necessária muita atenção, pois da falta de atenção para com o comportamento do outro, muitas mulheres podem sofrer crimes hediondos.

Pedro do Coutto é jornalista.

Enviado por André Cardoso – Rio de Janeiro (RJ). Envie seu texto para mazola@tribunadaimprensalivre.com ou siro.darlan@tribunadaimprensalivre.com


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