Redação

O líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), disse que votou por incluir exceções no projeto de lei que prevê congelamento de salários de servidores a pedido do presidente Jair Bolsonaro. Em discurso no plenário, nesta quarta-feira, dia 6, ele afirmou que foi contra a equipe econômica após conversa com o chefe do Executivo.

Vitor Hugo explicou que a “possível facada” no ministro da Economia, Paulo Guedes, aconteceu a pedido do presidente. O item que estendeu a permissão de reajustes a profissionais  não necessariamente envolvidos de forma direta no combate à Covid-19 foi apoiado por Bolsonaro. O Senado cortou essa mudança nesta quarta-feira, mas os deputados haviam incluído por destaque, na terça-feira, dia 5

INVIÁVEL – “A retirada da expressão ‘desde que diretamente envolvidos’ foi determinação do presidente da República, cumprida pelo líder do governo na Câmara, uma vez que sou líder do governo e não de qualquer ministério”, disse Vitor Hugo. “Paulo Guedes pediu que inseríssemos a restrição, o que parecia algo realmente muito coerente no momento emergencial, mas que, na prática, seria inviável”, explicou.

Por isso, o líder do governo orientou voto “sim” a um destaque apresentado pelo PDT, que mudava esse ponto. “Liguei para o presidente às 10 horas da noite de ontem [terça-feira] e me certifiquei de que essa era a melhor solucão.

Ele falou ‘Vitor Hugo, faça dessa maneira e vamos acompanhar, para privilegiar esses profissionais que estão na linha de frente. E isso aconteceu”, disse o deputado. Ele também afirmou ter conversado sobre a inclusão de servidores da segurança pública e da saúde mantidos pela União na lista de exceções. “Foi pedido explicito do presidente e eu fiz o texto”, contou.

PEDIDO – “O próprio presidente me pediu: ‘coloque os profissionais previstos nos artigos 142 e 144 [segurança pública federal, estadual e municipal], de maneira a ficar claro, e incluir guarda municipal, polícia penal dentro dessas exceções de possibilidades”, disse.

Vitor Hugo disse que participou de reunião virtual com Bolsonaro e Guedes, na qual decidiram apresentar emenda para corrigir “esse pequeno lapso cometido no Senado e incluir também policias mantidas pela União”. “A equipe econômica concordou com isso. Fizemos o texto e isso seria aprovado como emenda de redação”, afirmou.

A pedido do ministro, o líder orientou contra a exceção para professores, mas o assunto foi retomado por destaque, depois da aprovação do texto-base, e incluído no parecer. “Na votação em plenário, o governo votou contra a inclusão dos professores, ainda que entendamos que são categoria importantíssima. Mas, seguindo a equipe econômica e visando preocupação com equilíbrio fiscal, votamos contra, porque sabíamos que seria algo crucial para a equipe econômica”, explicou.


Fonte: Correio Braziliense