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Família real, ouro e café impulsionaram o desenvolvimento da região sudeste
No Mapa de hoje: Museu Imperial, em Petrópolis-RJ. (Crédito: divulgação MTur)
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Família real, ouro e café impulsionaram o desenvolvimento da região sudeste 

Redação –

4º episódio da série celebra os 200 anos do Bicentenário da Independência e mostra como o Sudeste contribuiu para a riqueza histórica da nação.

Ministério do Turismo traz mais um episódio da série “Cidades Históricas do Brasil”. Dessa vez, o objetivo é ressaltar a memória nacional e a herança deixada pelas construções urbanas que são até hoje visitadas por turistas graças ao seu valor histórico e social. Elas repercutem a beleza das cidades da região Sudeste que ficaram carimbadas por comporem esse legado.

O Sudeste conta com 21 cidades que fazem parte dos 88 conjuntos urbanos tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconhecidos como Patrimônio Cultural Brasileiro. O número significativo demonstra a grandiosidade e a força do Sudeste, principalmente, quando o assunto é turismo cultural. Há conjuntos urbanos em nove cidades de Minas Gerais (Cataguases, Congonhas, Diamantina, Mariana, Ouro Preto, Paracatu, São João del Rei, Serro e Tiradentes); oito no Rio de Janeiro (Angra dos Reis, Arraial do Cabo, Cabo Frio, Nova Friburgo, Paraty, Petrópolis, Rio de Janeiro e Vassouras) e quatro em São Paulo (Carapicuíba, Iguape, Santo André e São Luís do Paraitinga).

Petrópolis (RJ) conta com vários museus que valem a pena conhecer. (Divulgação)

O ouro impulsionou o processo de desbravamento e ocupação do interior do Brasil durante a colonização portuguesa e gerou as riquezas que possibilitaram a construção do patrimônio cultural. Motivados pela busca das minas de ouro e diamantes, os bandeirantes paulistas fundaram grande parte dos povoados que dariam origem às cidades históricas. Além disso, a influência da colonização e da vinda da coroa portuguesa ao Brasil também deixaram traços. Conheça algumas delas:

OURO – As cidades de Minas Gerais são tão preciosas para a história do país que carregam, literalmente, a força de jazidas em seus nomes. Ouro Preto e Diamantina, famosas pelas belezas arquitetônicas monumentais, receberam o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco e têm o ouro como protagonista no seu progresso e crescimento urbano.

Ouro Preto foi a principal cidade brasileira da época do ouro e tem uma composição arquitetônica que mescla o ouro de aluvião com religião e poder governamental, além de artistas e expressões artísticas reconhecidos por gerações, como o escultor Aleijadinho (abaixo).

Aleijadinho, um exemplo do esforço e da grandeza humana.

O turista que visita a histórica cidade consegue observar uma paisagem típica dos séculos 18 e 19. A cidade originou-se do processo de agregação entre os diversos arraiais de garimpo e foi palco de um dos maiores movimentos pela independência da colônia, a Inconfidência Mineira, que carimbou Joaquim José da Silva Xavier (o Tiradentes) como patrono cívico da nação.

Diamantina também traz na bagagem o feito histórico de ser uma das cidades preciosas do Brasil. As origens do Arraial do Tijuco, como era conhecida, tiveram início em 1713 com a atividade dos bandeirantes que permaneceram na região.

O arraial ficou conhecido pela exploração de diamantes e a grande quantidade de pedras que eram extraídas da localidade, tornando-se a maior lavra de diamantes do mundo ocidental do século 18. Diamantina (foto abaixo) ficou famosa, ainda, por narrar a história do contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira e da escrava liberta Chica da Silva.

Diamantina: conheça os principais pontos turísticos da terra de JK

Já Mariana é a única de traçado planejado entre as cidades coloniais mineiras. Seu centro histórico tem acervo arquitetônico composto de monumentos que marcam os anos áureos. O traçado possui estética barroca de influência portuguesa. O Iphan destaca os monumentos religiosos tombados de Mariana. São eles: a Catedral de Nossa Senhora da Assunção (Igreja da Sé, uma das mais antigas igrejas mineiras), o Seminário Maior de Mariana (de estilo neoclássico), o conjunto de sobrados da Rua Direita (com casas comerciais no térreo e sacadas no andar superior), e as pinturas sacras de Manoel da Costa Athaíde.

COROA PORTUGUESA – Que o Rio de Janeiro (RJ) é lindo isso ninguém duvida, mas ele fica mais bonito ainda por ter em sua história a composição da nação brasileira. Desde a chegada dos portugueses, a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, fundada em 1565, foi tomando proporções que fizeram com que a história do Brasil se fundisse com a história do Rio, isso porque a cidade foi a casa da Corte Portuguesa a partir de 1808, quando a família real se instalou no Brasil, trazendo consigo profundas mudanças econômicas e sociais.

Após a Proclamação da República, em 1889, o Rio de Janeiro manteve seu posto de sede política e administrativa e era, à época, a maior cidade do país, com mais de 500 mil habitantes. Sua relevância histórica é tão significativa que o Rio possui 231 bens culturais tombados.

“Proclamação da República”, 1893, óleo sobre tela de Benedito Calixto (1853-1927)

Petrópolis (RJ) também foi uma cidade que passou por mudanças graças a atuação dos portugueses e de seus descendentes. A fundação da cidade está ligada ao imperador Dom Pedro I. Quando o monarca pernoitou na região, se encantou com a exuberância da natureza e amenidade do clima e manifestou o desejo de adquirir propriedade.

De fato, Dom Pedro I adquiriu algumas propriedades na região e pretendia construir um Palácio de Verão no alto da serra. Entretanto, o projeto não foi adiante devido à sua abdicação ao trono, o retorno a Portugal. Seu filho, Dom Pedro II herdou as terras até que, o mordomo da família imperial resolveu dar continuidade aos planos de Dom Pedro I.

O local foi se desenvolvendo e recebeu um plano para fundar o Povoação-Palácio de Petrópolis, com a doação de terras da Fazenda Imperial aos colonos livres que iriam não só levantar a nova povoação, mas, também, seriam produtores agrícolas. Dessa forma nasceu Petrópolis, planejada para substituir o trabalho escravo pelo trabalho livre.

CAFÉ – A produção de uma das bebidas mais consumidas no país também teve espaço na história da região Sudeste. Em São Luís do Paraitinga, no estado de São Paulo, a arquitetura colonial preserva características da época dos barões do café. O tombamento realizado pelo Iphan incluiu casarões, capelas, praças, coretos e fontes, ladeiras, ruas e largos.

A expansão da região aconteceu no século 19 com a fase de produção do café e de outros alimentos como feijão, cana, milho e mandioca, além do gado leiteiro. Tendo como marca urbana os conjuntos religiosos e as residências dos habitantes locais, a herança arquitetônica é resultado da riqueza gerada pela produção do café, que promoveu um período de expansão.

Ainda em São Paulo, a Vila Ferroviária de Paranapiacaba (localizada no município de Santo André) e seu entorno formam uma porção de território de importância histórica e ambiental, que, de acordo com o Iphan, registra uma época da influência da cultura inglesa, com destaque para a arquitetura e a tecnologia.

A expansão da cultura do café foi ocorrendo no interior de São Paulo e tornou-se urgente criar um meio de escoar o café com maior facilidade para o Porto de Santos. Vila de Paranapiacaba foi criada para ser moradia de funcionários da companhia de trens que realizava o transporte de passageiros e da produção do grão das fazendas paulistas para o Porto de Santos. Assim, a ocupação dessa região está associada à construção da Ferrovia Santos-Jundiaí, a partir de 1860, trazendo desenvolvimento e fazendo com que a arquitetura local, considerada extremamente inovadora para a época (com ruas largas de traçado ortogonal e regular, edifícios padronizados, casas com recuo frontal e jardins, e vias hierarquizadas) se tornasse conjuntos urbanos tombados.

Fonte: Ascom do MTur

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