Por Miranda Sá –
“A mentira não mata, apenas tortura quem acreditou. ” (Clarice Lispector)
Polígrafo é o aparelho conhecido como ‘detector de mentiras’, usado pela polícia de alguns países em interrogatórios, e em certos programas de TV nos Estados Unidos e na Europa. É empregado para verificar a autenticidade de declarações dos entrevistados.
A polícia norte-americana utiliza o detector de mentiras e o seu resultado analítico é aceito pelos tribunais como prova nas acusações criminais, cíveis e mesmo trabalhistas. Lá, se considera que a aplicação do polígrafo garante, teoricamente, 92% de grau de acerto.
O aparelho realiza o exame através de sensores que medem o ritmo da respiração, da pressão sanguínea, dos batimentos cardíacos e do suor na ponta dos dedos da pessoa testada. No Brasil, a Polícia Civil gaúcha é a única que utiliza o software de fabricação israelense denominado Analisador de Voz Multicamadas.
O teste de polígrafo é conhecido como “exame de detecção psicofisiológica de fraude”, um estudo baseado na teoria de que as reações físicas e mentais dos indivíduos se alteram quando ele se contradiz ou foge à verdade.
Sem dúvida. Na tecnologia, o campo eletromagnético prevê reações fisiológicas dos gestos e entonação de voz; mas isto não quer dizer que identifique sentimentos da alegria ou tristeza, de desânimo ou euforia, da verdade ou mentira….
A avaliação analítica do comportamento humano feita pessoalmente tem resultados muitas vezes diferentes. E quando é levada para a lógica matemática verifica-se ser inusitada como o exemplo interessante que nos foi dado por Einstein.
Conta-se que embora sisudo e arredio, este gigante da Ciência comparecia mesmo a contragosto às reuniões sociais em que era homenageado. De poucas palavras, agradecia os cumprimentos, mas somente isto.
Num desses eventos foi importunado por um desses chatos que todos nós conhecemos. O sujeito aporrinhou-o insistindo que ele traçasse em termos matemáticos a fórmula da felicidade. Para se livrar do maçante, Einstein tirou um lápis do bolso e escreveu: “a=x+y =z”, e definiu: – “a” é a felicidade; “x” é o trabalho; e “y” é a riqueza.
– “… E o “z” ?”, indagou o impertinente. O cientista cofiou o cavanhaque e respondeu: – “O “z” é o silêncio”.
Como o detector de mentiras poderia (ou poderá) interpretar o silêncio? É a arma mais poderosa dos fraudadores e mentirosos, que lhes é oferecida pelo arsenal do garantismo jurídico do STF, como os brasileiros em peso assistiram na CPI da Covid.
Aliás, é difícil saber de quantas maneiras o famigerado garantismo favorece a delinquência política! Para júbilo do Centrão bolsopetista, a Alta Corte soltou o falastrão corrupto Lula da Silva e devolveu-lhe o dinheiro ganho suspeitosamente, e atua abertamente para livrar o boquirroto Flávio Bolsonaro das desonestas rachadinhas….
Vê-se assim que tanto faz o silencioso como o falador num tribunal onde a política entrou pela porta dos fundos e a Justiça pulou envergonhada de uma janela…. Parece-me necessário levar o polígrafo para o plenário do STF e comprovar a honestidade de cada voto; e como bom republicano sugiro estender o seu uso no Executivo e no Legislativo.
Ouvindo o capitão Bolsonaro sofrerá, sem dúvida, um curto circuito, porque ele é um mitômano obsessivo, capaz de dar um “boa noite” pela manhã e um “bom dia” à noite, só pelo prazer de mentir.
Quanto a detectar mentiras parlamentares, valha-me Deus, será facílimo; difícil, quase impossível, será ouvir uma verdade dos presidentes das duas casas, o deputado Arthur Lira e o senador Rodrigo Pacheco.
Isto visto, de verdade, chega-nos o desejo de desmascarar a mentira, mãe de todos os crimes, da violência do assassinato ao roubozinho das rachadinhas…. Ainda espero que a hediondez da falsidade seja punida; pelo menos pelo voto consciente da cidadania.
MIRANDA SÁ – Jornalista profissional, blogueiro, colunista e diretor executivo do jornal Tribuna da Imprensa Livre; Trabalhou em alguns dos principais veículos de comunicação do país como a Editora Abril, as Organizações Globo e o Jornal Correio da Manhã; Recebeu dezenas de prêmios em função da sua atividade na imprensa, como o Esso e o Profissionais do Ano, da Rede Globo.
MAZOLA
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