Por Herédia Alves

Da camisinha a máscara, elas precisam de proteção.

No coração do Rio de Janeiro, a menos de 2 Km do coração do Centro da cidade maravilhosa, encontramos a Vila Mimosa, tradicional reduto carioca, que têm vivido um dos piores momentos de sua história, desde o início da implacável pandemia, a Associação de Moradores da Vila Mimosa (AMOCAVIM), vêm desempenhando um papel de destaque no apoio as profissionais do sexo que trabalham naquela região.

A série “Prostituição” da TV Record Rio mostrou em outubro de 2020 como a pandemia afetou o movimento em boates da Vila Mimosa (Imagem: Reprodução/R7)

Para Cleide Almeida que é Assistente Social e Diretora de Projetos da AMOCAVIM, durante a pandemia a Associação precisou se adequar as mudanças que o isolamento social e a pandemia trouxeram e várias medidas foram implementadas no combate a COVID-19, assim como na luta diária para minimizar os efeitos da vulnerabilidade social que se acentuou na região.

“Iniciamos uma campanha informativa sobre as formas de contaminação da COVID-19 e como elas poderiam minimizar os riscos de contágio. Além dos preservativos que sempre distribuímos, iniciamos a distribuição de máscaras proteção e colocamos álcool em gel nos estabelecimentos que elas frequentam e nos corredores da Vila Mimosa.”

A Assistente Social relata que as profissionais viram seus ganhos diminuir em mais de 90% e que a busca da prostituição como meio de subsistência aumentou, o número de mulheres que nunca estiveram ali saltou absurdamente, como também trouxe mulheres que já haviam deixado a prostituição.

A Vila Mimosa é composta por dezenas de sobrados, que possuem bares-boates nos andares térreos e quartos, nos andares superiores (Imagem: Reprodução/arquivo Google)

Uma parceria do Ministério Público do Trabalho e Cáritas, possibilitou que as profissionais da região pudessem confeccionar máscaras e recebessem pela produção das mesmas. Esse projeto viabilizou a entrega de centenas de máscaras na região, além de colaborar financeiramente com as que sabiam costurar.

Instituições como a Associação dos Juízes pela Democracia, Viva Rio, MPT, Cáritas e outras grandes parceiras, doaram centenas de cestas básicas ao longo desses quase 2 anos e foram fundamentais no combate a fome de muitas famílias que essas profissionais sustentam com seu trabalho”, complementa Cleide.

Representantes da prefeitura durante entregas de cestas básicas (Foto: Divulgação/Prefeitura do RJ)

Apesar dessa situação alarmante, Cleide pontua que por meio da Lei Aldir Blanc, participaram de editais que possibilitou a implementação de cursos na área da beleza, e atraiu diversas mulheres que viram a oportunidade de se capacitar e assim viabilizar novas opções de trabalho. Pois para ela com o fechamento da FAETEC Vila Mimosa a opção de cursos profissionalizantes diminuiu muito na região e bem como a possibilidade de se capacitar para buscar novas frentes de trabalho.

Unidade da Faetec da Vila Mimosa, localizada na Rua Ceará, 286 – Cidade Nova (Reprodução/Google Maps)

Embora a atividade seja reconhecida pelo Código Brasileiro de Ocupações (CBO), a falta de regulamentação da profissão gera danos irreparáveis tanto as profissionais do sexo, quanto a seus dependentes que num momento tão delicado, sequer podem se socorrer de apoio junto a Previdência Social, seja com auxílio doença ou pensando na tão sonhada aposentadoria, já que o espaço conta com diversas senhoras idosas que ali ganham seu sustento.

Infelizmente o Poder Público não apresentou nenhum tipo de campanha para minimizar os efeitos devastadores de uma pandemia como essa. “Buscamos parcerias e fortalecimento de projetos que atendam essa parte da população que assim como os demais são cidadãs de bem, que pagam seus impostos e que somente são procuradas em períodos eleitorais com promessas que jamais foram cumpridas”, complementa Cleide.

Cleide Almeida é Assistente Social e Diretora de Projetos da AMOCAVIM (Reprodução/Linkedin)

Segundo a Diretora de Projetos, um espaço de Saúde aqui na Vila Mimosa seria um grande diferencial nesse momento, onde além de fortalecer medidas Sanitárias que são muito importantes a saúde da mulher e combate a doenças sexualmente transmissíveis, viabilizaria um ponto de vacinação na área para receber profissionais de todo o Estado do Rio de Janeiro.

Além de fortalecimento do saneamento básico da região que é extremamente precário.


HERÉDIA ALVES é advogada Criminalista e do Terceiro Setor, especialista em Direito Público, diretora de Projetos do Instituto Anjos da Liberdade, presidente Estadual do Instituto Nacional de Combate a Violência Familiar, advogada da Associação de Moradores da Vila Mimosa e membro da Comissão de Direitos Humanos OAB/ RJ.