Por Carlos Barreto –

O que mais nos aproxima do mundo e nos faz entender a nossa insignificância como protagonistas no planeta terra é viajar.

Quando atravessamos continentes e chegamos a outras culturas, outras formas de pensar e viver a vida, entendemos que tudo passa a ser irrelevante e importante nas importâncias que priorizamos.

Viajar abre nos a fronteira da mente e exercita nos o cérebro, sentimos cheiros, paisagens, gestos e olhares que nos fazem ser minúsculos na importância que nos fazemos importantes.

Istanbul é uma cidade que nos oferece culturas, cheiros, sentires, paladares, e um povo em tudo diferente, uma cidade tomada pelo islamismo de cores e trajes diferenciados. Aproxima o ocidente do oriente numa passagem seja pela superfície ou através dum túnel que emerge sobre o Bósforo.

A cidade que emana café, especiarias é cheia de encanto em cada esquina que a língua nos separa.

Como experiência para viver todas as experiências e costumes dos turcos, nada como viver os hábitos locais e experimentar o que os originais vivem no seu dia a dia.

O que mais encanta em Istanbul é a mistura ocidental islâmica em cada rua, em cada mercado em cada lugar, uma fusão que se funde em olhares e desconfianças naturais de quem teve como berço, religião, educação e orientações sociais distintas.

O que mais nos une na distância são as manifestações de afetos e carinhos que entre homens pode ser andar de mão dada e abraços afetuosos, o que numa sociedade ocidental é manifestação sexual e nos islâmicos nada mais que um ato de união e carinho.

Nas formas de entendimento e comunicação os gestos valem tudo. Mas o que mais nos aproxima é o respeito e simpatia nos olhares, que vale por mil palavras. Essa linguagem de formas torna tudo mais fácil e aproxima séculos de distância em pequenos gestos.

Do mundo viemos e para mundo vamos, num caminho de experiências e séculos de distância e quando caminhamos na cidade onde a civilização se iniciou, tornamo-nos mais valiosos no esplendor de vivências e passamos ao estágio que as diferenças aproximam e nos tornamos mais completos na aldeia global que é o planeta terra.

As mil e uma noites, a imagem de Istanbul, nada mais é que uma cortina de cores, de cheiros, de sentires que excitam os olfatos, visões e o aproximar de todas as civilizações fundidas numa só.

Para cada um de nós é uma experiência única um momento que eternizamos em cada rua, avenida, mesquita, uma brisa que separa e une o ocidente do Oriente.

Istanbul a cidade das mil e uma noites, em que cada dia acorda igual a qualquer outra cidade do mundo.

A diferença está no olhar que vislumbramos o que nos distância no aproximar de pessoas que em tudo são iguais.

CARLOS BARRETO –  Consultor de Comunicação; Colunista do jornal Tribuna da Imprensa Livre, representante e correspondente internacional em Lisboa, Portugal.


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NOTA DO EDITOR: Quem conhece o professor Ricardo Cravo Albin, autor do recém lançado “Pandemia e Pandemônio” sabe bem que desde o ano passado ele vêm escrevendo dezenas de textos, todos publicados aqui na coluna, alertando para os riscos da desobediência civil e do insultuoso desprezo de multidões de pessoas a contrariar normas de higiene sanitária apregoadas com veemência por tantas autoridades responsáveis. Sabe também da máxima que apregoa: “entre a economia e uma vida, jamais deveria haver dúvida: a vida, sempre e sempre o ser humano, feito à imagem de Deus” (Daniel Mazola). Crédito: Iluska Lopes/Tribuna da Imprensa Livre.