Por Iata Anderson –

Quando eu disse pela primeira vez, ainda na rádio Globo – início da década de 1980 – que clássico não tinha favorito não esperava que a repercussão fosse tamanha, a ponto de escutar, hoje, que minha tese tinha sustentação e a mantenho, cada vez mais solidificada. Respeito e muito, tabus e “fases”, mas considero o “peso’ – gosto dessa definição – das camisas muito mais importante que um simples palpite. O tabu pelos vinte e um anos que o Corinthians, camisa pesadíssima, ficou sem vencer o Santos de Pelé, põe peso nisso, ainda é muito importante. As “fases” estão aí, explicitas na decisão do campeonato carioca, agora chamado de “cariocão”, coisa mais horrorosa. O Flamengo passou fácil pelo Vasco, mesmo com placar apertado nos dois jogos e o Fluminense venceu a primeira contra o Botafogo, também por 1×0 – parece placar da moda – jogo corrido, como o de domingo. Ambos fracos, tecnicamente, o que aponta para a final que previ semana passada, um suculento Fla x Flu, assim esperamos todos, decidindo se o Flamengo vai conquistar o sonhado tetracampeonato, que já bateu na trave seis vezes.

Gosto mais, sinceramente, dos campeões de turno, primeiro a Taça Guanabara, depois Taça Rio, quem ganhasse os dois seria campeão direto, muito mais legítimo, tecnicamente mais saudável para quem joga e assiste. Não há datas, dirão. Na verdade, com tantas competições, mais seleção disputando vaga – tremendo desperdício de tempo – para copa do mundo, o pessoal quer uma brecha para ver os principais campeonatos nacionais da Europa e a Champions, melhor torneio de futebol do mundo.

Tem a que mais gosto, citada por Pelé, quando zoei sobre uma goleada sofrida pelo Santos para a Ferroviária, de Araraquara, que tinha um timaço, por 5×0. “Era o dia do outro”, disse o Rei.

Pelé entre Bazani e Fogueira, jogadores da Ferroviária. (Crédito: Museu do Futebol e Esporte de Araraquara)

O Real Madrid foi goleado em casa, primeira derrota, pelo Barcelona, depois de três vitórias de virada, uma delas entrou para a história do futuro estádio está mais lindo e confortável do mundo, a remontada sobre o todo poderoso PSG, de Mbappé, Neymar, Messi e & Ltda. Foi para o arquivo, veio o jogo seguinte, o Barça em elevação, novo treinador, Xavi Hernández, arrumando o time, ele que tem um lastro imenso para mostrar pois saiu daquela equipe que maravilhou o mundo, com ele, Eniesta e Messi comandando o belíssimo Tic Tac, tão lindo ou mais que o carrossel holandês da década de 1970. Vou repetir – uma vez mais – técnico não ganha nem perde jogo sozinho, mas há os que atrapalham, escalam mal e mexem pior ainda, caso de Carlo Lancelotti, cantado em prosa e verso na Europa. Se a moda é contratar técnicos do velho continente, que tragam apenas os portugueses, deixem esse moço por lá. Para cobrir as vagas de Benzema e Mendy bastava pôr Marcelo na lateral e qualquer um centro avante, menos Modric ou Valverde, que se revezavam. Não deu certo e o time acabou no brejo, depois de fazer bonito em três jogos seguidos. Perdeu a invencibilidade em casa e só escapou Courtois, que evitou uma goleada mais vergonhosa. Para mascar chicletes com as mãos no bolso por aqui se encontra mais barato.

Barcelona goleia Real Madrid em pleno Santiago Bernabéu .Destaque para o atacante gabonês Aubameyang

O problema das arbitragens, vou repetir uma vez mais, é de inteira responsabilidade dos mal educados jogadores, sempre procurando iludir os árbitros, tão profissionais quanto eles, que encontram muita dificuldade para conduzir as partidas como deveriam, por absoluta falta de autoridade, um processo antigo que chegou ao ponto insustentável. Assim, os mais novos não são respeitados e os mais velhos levam na conversa, aliás, uma péssima estratégia. Árbitro que fala muito dá capim para jumento, ou coisa parecida. Linguagem de arbitragem é apito e cartão. Beber água com os caras, dar as mãos para levantar jogador caído, falar e gesticular demais vira intimidade e o respeito vai pelo ralo. “Documento do carro e habilitação”, disse o PM para mim, numa blitz, outro dia. Não dei uma palavra, fui multado e um abraço. Isso chama-se autoridade, respeito. O que falta nos campos do Brasil.

E vai demorar muito para ser reconquistado.

IATA ANDERSON – Jornalista profissional, titular da coluna “Tribuna dos Esportes”. Trabalhou em alguns dos principais veículos de comunicação do país como as Organizações Globo, TV Manchete e Tupi; Atuou em três Copas do Mundo, um Mundial de Clubes, duas Olimpíadas e todos os Campeonatos Brasileiros, desde 1971.


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