Por José Carlos de Assis –
Presidente da República pode muita coisa. Mas uma das coisas que o Presidente da República não pode fazer é assinar acordos secretos, inclusive de caráter militar, com uma potência estrangeira. Contudo, foi justamente isso que Jair Bolsonaro foi fazer nos Estados Unidos. De acordo com a repórter Ingrid Soares, numa longa matéria a respeito da viagem presidencial encerrada no dia 10, o Presidente anunciou a realização de acordos “reservados” nas áreas econômicas e de desenvolvimento de material militar.
Trata-se de uma violação direta da Constituição. Se não reagir a esse esbulho de sua autoridade, o Congresso pode fechar as portas e entregar o poder absoluto a Bolsonaro, antes mesmo que ele o conquiste com as manifestações do dia 15. Ou alguém duvida de que, se não houver um bloqueio das pretensões de Bolsonaro, ele acabará como ditador pessoal, isto é, um ditador que não tem sequer controles legais indiretos? Na verdade, é patético que a grande mídia, uma das suas futuras vítimas, não tenha ainda se dado conta disso.
Em face de instituições civis corrompidas e inúteis, a saída, queiram ou não, é o Alto Comando do Exército, a única força que pode parar Bolsonaro e suas milícias. E que isso seja feito logo, pois daqui a pouco o próprio Alto Comando estará cercado por policiais militares amotinados, como parece ser no caso do Ceará. Quanto a preconceitos contra a intervenção cirúrgica dos militares no poder civil, em caráter emergencial e provisório, que vão para os diabos: a alternativa é dar o poder absoluto a Bolsonaro e família, e isso só louco aceitaria!
JOSÉ CARLOS DE ASSIS é jornalista, economista, escritor e doutor em Engenharia de Produção pela Coppe/UFRJ, autor de mais de 20 livros sobre economia política. Colunista do jornal Tribuna da Imprensa Livre. Foi professor de Economia Internacional na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), é pioneiro no jornalismo investigativo brasileiro no período da ditadura militar de 1964. Autor do livro “A Chave do Tesouro, anatomia dos escândalos financeiros no Brasil: 1974/1983”, onde se revela diversos casos de corrupção. Caso Halles, Caso BUC (Banco União Comercial), Caso Econômico, Caso Eletrobrás, Caso UEB/Rio-Sul, Caso Lume, Caso Ipiranga, Caso Aurea, Caso Lutfalla (família de Paulo Maluf, marido de Sylvia Lutfalla Maluf), Caso Abdalla, Caso Atalla, Caso Delfin (Ronald Levinsohn), Caso TAA. Cada caso é um capítulo do livro. Em 1983 o Prêmio Esso de Jornalismo contemplou as reportagens sobre o caso Delfin (BNH favorece a Delfin), do jornalista José Carlos de Assis, na categoria Reportagem, e sobre a Agropecuária Capemi (O Escândalo da Capemi), do jornalista Ayrton Baffa, na categoria Informação Econômica.

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